Foto do dia 19/04: Marcos Rosa

Marcos Rosa

Crianças Yanomamis brincam com seu cachorro.

Em homenagem ao Dia do Índio, compartilhamos hoje estas fotos do Marcos Rosa de índios Yanomamis, registradas 10 anos atrás.

Marcos Rosa é free-lancer da Editora Abril, mas está trabalhando em uma consultoria de um projeto para a revista Hola (revista espanhola de 65 anos e está em 70 países por meio de 13 linguas diferentes). Já foi editor da revista Caras e trabalhou na agência Angular.

O interesse de visitar a aldeia Yanomami surgiu quando Marcos descobriu que garimpeiros mantinham uma pista clandestina para pouso de aviões dentro da terra indígena Yanomami. Teve que pedir permissão para do exército que mantém um Pelotão próximo a comunidade, para realizar as fotos e conseguiu chegar à aldeia com um avião cargueiro das forças armadas. Ficou 20 dias na aldeia documentando a atuação dos médicos com os indígenas. Em seguida conseguiu publicar a matéria na revista Veja. Já fotografou indígenas do Alto Xingu e da Raposa Serra do Sol.

Os Yanomami formam uma sociedade de caçadores-agricultores da floresta tropical do Norte da Amazônia cujo contato com a sociedade nacional é, na maior parte do seu território, relativamente recente. Seu território cobre, aproximadamente, 192.000 km², situados em ambos os lados da fronteira Brasil-Venezuela na região do interflúvio Orinoco – Amazonas (afluentes da margem direita do rio Branco e esquerda do rio Negro). Constituem um conjunto cultural e lingüístico composto de, pelo menos, quatro subgrupos adjacentes que falam línguas da mesma família (YanomaeYanõmami, SanimaNinam). A população total dos Yanomami, no Brasil e na Venezuela, é hoje estimada em cerca de 26.000 pessoas.

No Brasil, a população yanomami é de cerca de 12.500 pessoas, repartidas em 188 comunidades (censo FUNASA). A Terra Indígena Yanomami, que cobre 9.664.975 ha (96.650 km²) de floresta tropical é reconhecida por sua alta relevância em termo de proteção da biodiversidade amazônica e foi homologada por um decreto presidencial em 25 de maio de 1992.

O etnônimo “Yanomami” foi produzido pelos antropólogos a partir da palavra yanõmami que, na expressão yanõmami thëpë (língua Yanomami occidental), significa “seres humanos” (yanomae thëpë em Yanomami oriental). Essa expressão se opõe às categorias yaropë (animais de caça) e yai thëpë (seres invisíveis ou sem nome), mas também a napëpë (inimigo, estrangeiro, “branco”).

Os Yanomami remetem sua origem à copulação do demiurgo Omama com a filha do monstro aquático Tëpërësiki, dono das plantas cultivadas. A Omama é atribuída a origem das regras da sociedade e da cultura yanomami atual, bem como a criação dos espíritos auxiliares dos pajés: os xapiripë (ou hekurapë). O filho de Omama foi o primeiro xamã. O irmão ciumento e malvado de OmamaYoasi, deu origem à morte e aos males do mundo.

Uma narrativa mítica ensina que os estrangeiros devem também sua existência aos poderes demiúrgicos de Omama. Conta-se que foram criados a partir da espuma do sangue de um grupo de ancestrais Yanomami levado por uma enchente após a quebra de um resguardo menstrual e devorado por jacarés e ariranhas. A  língua “emaranhada” dos forasteiros lhes foi transmitida pelo zumbido de Remori, o antepassado mítico do marimbondo comum nas praias dos grandes rios.

Para chegar a esta inclusão dos brancos numa humanidade comum, ainda que oriunda de uma criação “de segunda mão”, os antigos Yanomami tiveram que viver um longo tempo de encontros perigosos e tensos com esses estranhos, que passaram a chamar de napëpë (“estrangeiros, inimigos”). De fato, a primeira visão que tiveram dos brancos foi de um grupo de fantasmas vindo de suas moradias nas “costas do céu” com o escandaloso propósito de voltar a morar no mundo dos vivos (a volta dos mortos é um tema mítico e ritual particularmente insistente na cultura  Yanomami).

Por não possuírem afinidade genética, antropométrica ou lingüística com os seus vizinhos atuais, como os Yekuana (de língua karib), geneticistas e lingüistas que os estudaram deduziram que os Yanomami seriam descendentes de um grupo indígena que permaneceu relativamente isolado desde uma época remota. Uma vez estabelecido enquanto conjunto lingüístico diferenciado, os antigos Yanomami teriam ocupado a área das cabeceiras do Orinoco e Parima há um milênio, e ali iniciado o seu processo de diferenciação interna (há 700 anos) para acabar desenvolvendo suas línguas atuais.

Segundo a tradição oral yanomami e os documentos mais antigos que mencionam este grupo indígena, o centro histórico do seu habitat situa-se na Serra Parima, divisor de águas entre o alto Orinoco e os afluentes da margem direita do rio Branco. Essa é ainda a área mais densamente povoada do seu território. O movimento de dispersão do povoamento yanomami a partir da Serra Parima em direção às terras baixas circunvizinhas começou, provavelmente, na primeira metade do século XIX, após a penetração colonial nas regiões do alto Orinoco e dos rios Negro e Branco, na segunda metade do século XVIII. A configuração contemporânea das terras yanomami tem sua origem neste antigo movimento migratório.

Tal expansão geográfica dos Yanomami foi possível, a partir do século XIX e até o começo do século XX, por um importante crescimento demográfico. Vários antropólogos consideram que essa expansão populacional foi causada por transformações econômicas induzidas pela aquisição de novas plantas de cultivo e de ferramentas metálicas através de trocas e guerras com grupos indígenas vizinhos (Karib, ao norte e a leste; Arawak, ao sul e ao oeste), que, por sua vez, mantinham um contato direto com a fronteira branca. O esvaziamento progressivo do território desses grupos, dizimados pelo contato com a sociedade regional por todo o século XIX, acabou favorecendo também o processo de expansão yanomami.

Até o fim do século XIX, portanto, os Yanomami mantinham contato apenas com outros grupos indígenas vizinhos. No Brasil, os primeiros encontros diretos de grupos yanomami com representantes da fronteira extrativista local (balateiros, piaçabeiros, caçadores), bem como com soldados da Comissão de Limites e funcionários do SPI ou viajantes estrangeiros, ocorreram nas décadas de 1910 a 1940. Entre os anos 1940 e meados dos anos 1960, a abertura de alguns postos do SPI e, sobretudo, de várias missões católicas e evangélicas, estabeleceu os primeiros pontos de contato permanente no seu território. Estes postos constituíram uma rede de pólos de sedentarização, fonte regular de objetos manufaturados e de alguma assistência sanitária, mas também, muitas vezes, origem de graves surtos epidêmicos (sarampo, gripe e coqueluche).

Fonte: CCPY (Comissão Pró-Yanomami)

Foto do dia 16/04: Marcos Santilli/Ímã Foto Galeria

Marcos Santilli/Ímã Foto Galeria

“Fotografada em Brasília, alguma ponta de cidade satélite.
Para mim, o autor suspeito, sugere o pensamento de que antigamente as cidades brasileiras formavam-se ao redor da praça da igreja matriz. Hoje, as comunidades nacionais agrupam-se em torno da parabólica e do campo de futebol.”
José Marcos Brando Santilli (Assis SP 1951) é fotógrafo, curador e produtor cultural. No início da década de 1970, abandona o curso de artes e arquitetura da Universidade de Brasília – UnB para atuar como fotojornalista nos periódicos Diário de BrasíliaJornal de Brasília. Estuda fotografia na escola Agfa Gevaert, em 1973, em Londres, e de volta ao Brasil, entre 1974 e 1978, fotografa para a sucursal da Editora Abril em Brasília. Paralelamente, inicia projeto de documentação audiovisual e fotográfica das transformações sociais e ambientais em Rondônia e no Acre. No começo dos anos 1980, transfere-se para São Paulo e trabalha no Instituto de Documentação e Artes da Prefeitura Municipal. Empenhado na melhoria das condições de trabalho dos fotógrafos, em 1977 e 1978, torna-se vice-presidente da União dos Fotógrafos de Brasília e, de 1981 a 1982, da União dos Fotógrafos de São Paulo, e é um dos membros-fundadores do Núcleo dos Amigos da Fotografia – NAFoto. De 1998 a 2003, dirige o Museu da Imagem e do Som de São Paulo – MIS/SP. No decorrer de sua carreira, recebe diversas bolsas de estudo nas áreas de fotografia, cinema, vídeo e informática, entre as quais se destacam as concedidas pela John Simon Guggenheim Memorial Foundation, em 1981, pela Fundação Vitae, em 1988, e pela The Fulbright Commission, em 1989. É autor dos livros Are, 1987; Madeira-Mamoré Imagem e Memória, 1987; e Amazon.

“O material fotográfico obtido tem tal eloqüência que, com ele, Marcos Santilli consegue articular um discurso sobre a colonização da Rondônia, praticamente sem lançar mão do recurso da palavra, a não ser para localizar as fotos no tempo e no espaço. As imagens são precisas em sua intenção antropológica, acompanhando minuciosamente todo o processo de obtenção do ouro no garimpo, o trabalho do seringueiro, o processamento da mandioca pelos índios, ou os vários métodos de desmatamento. O fotógrafo disseca a região com o olhar de um analista, busca os detalhes significantes, examina o rosto de um ex-ferroviário parte por parte, observa a miscigenação de uma família imigrante ao longo das sucessivas gerações”.

Arlindo Machado

“(…) O espectador segue a saga dos índios, ferroviários, seringueiros, garimpeiros, colonos. Acompanha, através dos rostos, a caminhada irreversível do tempo. E agora, já dono das imagens, que por sua vez cativou, fica com vontade irresistível de, tantos quilômetros e imagens percorridos, tomar o caminho de volta, mais uma vez. E, junto com o fotógrafo, abraçar a imensidade do espaço, apanhar o sol, mergulhá-lo de novo no rio e aconchegar as vidas dentro da luminosidade do ar, transparência da água e calor do sol. E preservá-las assim, para sempre”.

Stefania Bril

Mostras individuais

1980 – Índios, Galeria Fotóptica, São Paulo

1981 – Fazendas de Café do Vale do Paraíba, Museu da Imagem e do Som, São Paulo

1981 – Bixiga, uma Pesquisa Urbana, Museu da Imagem e do Som, São Paulo

1985 – Nharamaã, a Pré-História de um Estado, Centro Cultural São Paulo

1989 – Madeira-Mamoré, Funarte, Rio de Janeiro

1993 – Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, uma Aventura Fotográfica, Museu da Imagem e do Som, São Paulo

Exposições coletivas

1976 – Bienal Nacional 76, Fundação Bienal de São Paulo

1979 – 1ª Mostra de Fotografia, Funarte, Rio de Janeiro

1981 – The New YorkBotanic Garden, The Peabody Museum, Nova Iorque, Estados Unidos

1984 – 3º Colóquio Latino-Americano de Fotografía, Casa de Las Américas, Havana, Cuba

1984 – Tradição e Ruptura: auto-retrato do brasileiro, Fundação Bienal de São Paulo

1992 – Brasilien: entdeckung und selbstentdeckung, Kunsthaus, Zurique, Suiça

1994 – FotoFest’94. The Fifth International Festival of Photography The Global Environment, Houston, Estados Unidos

1998 – Amazônicas, Itaú Cultural, São Paulo

1999 – Brasilianische Fotografie 1946 bis 1998, Kunstmuseum, Wolfsburg, Alemanha

2002 – Visões e Alumbramentos: fotografia contemporânea brasileira da coleção Joaquim Paiva, Oca, São Paulo

Leia nesta matéria um pouco mais sobre a fotografia de Marcos Santilli: http://www.imafotogaleria.com.br/noticias/noticia.php?cdTexto=571